Os meus primeiros seis meses na UCLA não foram notáveis, exceto nas férias da Páscoa, quando eu e dois dos meus colegas - um intelectual melancólico e barbudo de Nova Iorque e uma rapariga irlandesa mais velha - passamos três dias de bebedeira em Tijuana. Durante o resto do semestre da Primavera, eu permaneci em minha rotina vagarosa - aulas em edifícios dispersos no vasto campus de árvores alinhadas; largas horas de leitura, sozinho nas bibliotecas da universidade ou no meu pequeno apartamento; e, aos domingos, telefonemas para Mary na Flórida, utilizando um telefone público e apenas pagando os primeiros três minutos, mas falando normalmente durante uma hora ou mais, não assinalando quando acabava. Às vezes, eu ia de tarde e de noite ao Lucky 4, um restaurante e bar mexicano a cerca de uma milha do campus, não longe do Hospital Para Veteranos de Guerra. Gostava do lugar. Havia mulheres ao bar e homens cegos puxando amigos sem pernas em cadeiras de rodas que orientavam a direção. Algumas vezes os aleijados ficavam e lutavam, batendo-se com as muletas. Faziam-me lembrar uma história de Nelson Algrem. Era um "lugar asseado" para beber.
Aos fins de semana, eu ia para a praia de Venice. Venice era a meca da geração beat e da tradição boêmia dos anos cinquenta. Poetas, pintores e estudantes viviam sem gastar tanto dinheiro, em grandes quartos de casas vitorianas outrora elegantes, ou em quartos pequenos ao lado dos canais. Quando o Verão chegou, voltei para Corolado. Estava magro após uns meses de refeições pobres e falhas, mas depressa recuperei minha forma. Depois parti de novo para o México, desta vez com meu irmão e meu padrinho, um oficial da marinha que servia com meu pai no Pacífico. Andy, meu irmão, dizia que era uma viagem dada à bebedeira. Andamos cerca de cem milhas para Sul, para Enseada. Eu mostrei-lhe a vida. Bebiámos cervejas e eu o levava de bar em bar, discutindo com os mexicanos em espanhol quando tentavam ludibriar-nos. Falando com as prostitutas, correndo através de ruelas, fugindo dos cães. Foi fantástico.
De volta à zona de San Diego, iámos frequentemente ao cinema, e algumas vezes eu roubava vinho e me embebedava. Naquela época, quando eram filmes sobre o exército americano, costumavam tocar o hino nacional. Uma vez, enchi o cinema com minha voz: Ohhhh seyyyy cannn youuu seee...!! Era o único que cantava.
Nenhum comentário:
Postar um comentário