Come on, come on, come on, come on now, touch me, babe. Can't you see that I am not afraid? What was that promise that you made? Why won't you tell me what she said? What was that promise that you made? Now, I'm gonna love you 'til the heaven stops the rain. I'm gonna love you 'til the stars fall from the sky for you and I.








people in motion.

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terça-feira, 15 de junho de 2010

CAPÍTULO UM: “Hoje vai ter Lua”

        Eu sempre ficava muito tensa antes dos shows, pensando em tudo que poderia dar errado, imaginando se eu não ia esquecer os versos de White Rabbit... E, naquele dia em especial, tudo parecia 3.000 vezes mais denso ! Era o Woodstock, nossa ! Eu mal podia acreditar que estava ali. Tudo bem, havia feito o Monterey Pop Festival dois anos antes, encontrado gente louca, feito amigos, mas hoje seria muito mais intenso !
        A tensão era tamanha que achei melhor andar um pouco, ver a galera esperando o show talvez me aliviasse, ou não, rs.
        - Marty, vou sair. Não esquece de verificar as cordas, tá ? Volto logo. - E caí fora antes que meu segundo vocalista me mandasse à merda, por lembrá-lo das cordas mais uma vez. Meus pés saíram a esmo pelo caminho enlameado, eu realmente não prestava atenção em nada nem ninguém, perseguindo meu próprio coelho branco, concentrada. - One pill makes your larger.. - Cantava os versos da música mais esperada do nosso repertório, fazendo o possível para não esquecer nada, quando alguém apareceu subitamente na minha frente. O encontro foi inevitável e eu fui ao chão.
        - Opa Grasseane ! Cuidado aí. - Quem quer que fosse o responsável pela minha queda, parecia se divertir com a situação.
        - Porque você não me ajuda aqui ô... - Olhei pra cima tentando ver quem era, mas o pôr-do-sol criava umas sombras sinistras, que tornaram meu trabalho impossível. - Você aí. Rs.
        - E porque levantar ? Você fica tão doce coberta de lama, baby. - Ele executou algo que deveria ser um sapateado com ares de flamenco e sentou-se ao meu lado, radiando alegria. Era tão intensamente feliz que eu tive que ceder e relaxar.
        - Isso porque não é você que está cheia de lama, e tensa com o show, querido. - O sol ia descendo, e ficando cada vez mais escuro, e eu ainda não conseguia ver quem estava ao meu lado. "Talvez quando ligarem os refletores", pensei.
O meu acompanhante misterioso se esticou sobre o chão, mais confortável do que eu acharia possível, e riu.
        - Quem disse que eu não tô tenso pequena ? - Ele então me puxou para baixo, e apertou meu rosto contra o próprio peito. - Não escuta meu coração ? Ten-Ten-São, Ten-Ten-São ! rs. - Eu não só ouvia o coração dele, acelerado, como também sentia seu cheiro doce de madeira antiga, minha vontade era ficar ali pra sempre. - O importante é que você se divirta e faça seu melhor Grace, pronto.
        Ele dizia isso enquanto passava os dedos na minha nuca, e então eu me senti mais feliz do que me sentia há meses. Meu próprio coração começou a executar compassos rápidos, que nada tinham a ver com tensão.
        - Você, tenso ?! Isso quer dizer que vai tocar ! Qual é sua banda ? - Era uma pena que eu não conseguisse vê-lo, ou reconhecer sua voz, que me parecia familiar. - Fala aê.
        - Ah, você vai descobrir, Grace. Agora, eu tenho mesmo que ir, certo ?! - Ele me soltou com carinho, e beijou a ponta do meu queixo. - Prometa que não vai mais esbarrar em ninguém por aí. Você agora é minha. - E ele se foi, antes que eu pudesse adivinhar seu nome no escuro.
        Levei um tempo longo demais até voltar para o lugar onde a minha banda se aquecia antes do show, pensando em como eu podia tê-lo deixado ir, assim, sem dizer seu nome. A minha expressão era tão chateada e carrancuda, que o Marty até se preocupou comigo.
        - Hey Grace, o que houve ? Você tá legal ? Tá toda coberta de lama, o que aconteceu ?
        Eu nem prestei atenção no que ele me dizia, chateada porque eu sabia que havia perdido aqueles momentos felizes pra sempre. Se pudesse, eu teria ficado pra sempre deitada naquele chão molhado, tão bem acompanhada.
        - Hã, certo Marty... - respondi de qualquer maneira.
        Ele meneou a cabeça, meio que me compreendendo, daquela forma mágica que só grandes amigos são capazes, e sorriu.
        - Deixaram esse bilhete pra você, acho que explica tudo não é ? - E ele me entregou um pedaço de papel meio amassado dos lados, que eu abri e li rápido, com o coração aos saltos.

                "Boa noite minha doce e enlameada Grasseane.
                Não se preocupe com seu show.
                Parece que hoje vai ter lua, rs.
                E vai dar tudo certo.
                Um abraço, Keith Moon."


        - Marty ! Ah como eu amo você ! - E eu abracei um antônito Marty Balin, que realmente não podia compreender porque um papel me fizera tão deliciosamente feliz.

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