Eu sabia que era um risco. Eu sabia que ele era famoso, e amado pelas pessoas. Eu sabia que haveria sempre dezenas de groupies perseguindo Keith Moon, aonde quer que ele fosse. Eu podia ver claramente que nada do que ele dissera aquele dia era verdade. Eu podia entender perfeitamente que ele só tinha sido gentil para que eu relaxasse... Mas então, porque eu não conseguia esquecê-lo ?
Já havia se passado duas semanas desde aquele dia nos bastidores do Woodstock, e eu não o vira mais. Pelo menos não fisicamente, porque na verdade, ele não saia da minha mente. E, da mesma forma que seu cheiro de madeira antiga, o som de sua risada doce me perseguia onde quer que eu fosse. Estúdios, shows, sessões de fotos... Qualquer lugar ! E, mesmo que eu tentasse esconder meus sentimentos, as pessoas ao meu redor começaram a perceber que algo não ia bem. E evitavam perguntar qualquer coisa, simplesmente porque achavam que era efeito dos meus remedinhos ocasionais, e que eu iria me irritar profundamente com aquela invasão.
Todos, exceto Janis. Ah não, ela não podia me ver pra baixo, e não tentar, de todas as maneiras possíveis, consertar o que quer que fosse. Era isso que fazia dela uma grande irmã, um dos grandes amores da minha vida.
- O que você tem, Grace ?
Era a pergunta que ela me fazia diariamente, sempre esperando pela resposta que eu me recusava a dar. Ou melhor, que me recusei a dar, até aquela tarde de sábado, quente como o cão. Lembro bem que tudo pareceu se concentrar e ganhar mais força do que deveria. O calor, a tensão, o tédio, a ressaca sem fim... Acho que tudo isso fez com que eu atravessasse a sala, aos prantos, só parando quando Janis me abraçou apertado, e sussurrou em meu ouvido:
- Conte-me o que há de errado, doce criança.
Eu me sentia segura perto de Janis, ela sempre me protegera e ajudara, quando Julie, minha mãe, não estava por perto. E eu me sentia forte o suficiente para lhe contar tudo.
- É o Keith. Quer dizer, ele não fez nada, mas é exatamente isso que me mata ! Porque ele não me procura Janis ? - Afundei meu rosto no seu pescoço, deixando um rastro de lágrimas em sua camiseta.
- Que Keith, meu bem ? - Ela passava os dedos em meus cabelos, tentando fazer com que eu parasse de chorar, e começasse a lhe explicar tudo.
E foi exatamente o que eu fiz, depois de três garrafas de gim, e um maço de cigarros. Contei para Janis como me sentia a respeito dele, e mostrei o bilhete. Para minha completa surpresa, e indignação, ela riu.
- Meu amor ! Você não pode esperar que ele resolva tudo só, não é ? Se você quer algo, vai lá e pegue, antes que seja tarde demais. - Ela era iluminada, e sim, mais uma vez, estava certa. – O Who tá em turnê, por isso vocês não conseguem se falar, mas eu tenho contatos, posso armar uma situação para que se encontrem. Algo assim.
Minha mente trabalhou o mais rápido que pode, devido o torpor do álcool, e chegou à conclusão mais estúpida que poderia, só que era a única que tínhamos em mãos.
- O aniversário do Jim Morrison ! A gente poderia organizar alguma festa, em um pub, e chamar a galera do cenário musical. Que me diz ? - Eu socava a mesa de centro, em êxtase.
- Acho uma idéia arriscada, o Jim Morrison fica uma mala quando se droga, e eu tenho certeza de que é isso que ele vai fazer na própria festa de aniversário. - Ela fez uma careta de desgosto, e pra mim era óbvio que a pérola ainda não superara seus problemas com o rei lagarto. - Além disso, o Pete odeia o Jim, e você sabe, é provável que prefira que os caras da banda nem apareçam lá.
- Mas Janis, é a prova que precisamos ! Se o Keith aparecer, mesmo com as diferenças entre o Pete e o Jim... – Levantei meu olhar, esperançosa, e encarei minha amiga, decidia. – É sinal de que ele... ao menos se importa.
- E se o Jim se drogar ainda mais do que o de costume, e esquecer que você terminaram qualquer coisa que tinham antes ? – Ela riu, sabia que eu ficava sem graça quando falavam sobre isso.
- Eu afogo ele na piscina ! - E falava sério.
Janis me olhou por alguns segundos, e, com um sorriso, secou minhas lágrimas.
- Não há nada que Grace Slick peça chorando, que Janis Joplin negue, meu bem. - Ela, então, jogou as mãos ao alto, como se estivesse se rendendo. - Farei o que for preciso. Ligo pros Beatles, Pink Floyd, Grateful Dead, Jimi, Stones, Reed e Nico… Todos eles, todos !
Eu só podia agradecer por ter uma amiga tão perfeita quanto a Janis, sempre. E eu sentia, no fundo da minha alma, que dessa vez ia dar tudo certo !
Já havia se passado duas semanas desde aquele dia nos bastidores do Woodstock, e eu não o vira mais. Pelo menos não fisicamente, porque na verdade, ele não saia da minha mente. E, da mesma forma que seu cheiro de madeira antiga, o som de sua risada doce me perseguia onde quer que eu fosse. Estúdios, shows, sessões de fotos... Qualquer lugar ! E, mesmo que eu tentasse esconder meus sentimentos, as pessoas ao meu redor começaram a perceber que algo não ia bem. E evitavam perguntar qualquer coisa, simplesmente porque achavam que era efeito dos meus remedinhos ocasionais, e que eu iria me irritar profundamente com aquela invasão.
Todos, exceto Janis. Ah não, ela não podia me ver pra baixo, e não tentar, de todas as maneiras possíveis, consertar o que quer que fosse. Era isso que fazia dela uma grande irmã, um dos grandes amores da minha vida.
- O que você tem, Grace ?
Era a pergunta que ela me fazia diariamente, sempre esperando pela resposta que eu me recusava a dar. Ou melhor, que me recusei a dar, até aquela tarde de sábado, quente como o cão. Lembro bem que tudo pareceu se concentrar e ganhar mais força do que deveria. O calor, a tensão, o tédio, a ressaca sem fim... Acho que tudo isso fez com que eu atravessasse a sala, aos prantos, só parando quando Janis me abraçou apertado, e sussurrou em meu ouvido:
- Conte-me o que há de errado, doce criança.
Eu me sentia segura perto de Janis, ela sempre me protegera e ajudara, quando Julie, minha mãe, não estava por perto. E eu me sentia forte o suficiente para lhe contar tudo.
- É o Keith. Quer dizer, ele não fez nada, mas é exatamente isso que me mata ! Porque ele não me procura Janis ? - Afundei meu rosto no seu pescoço, deixando um rastro de lágrimas em sua camiseta.
- Que Keith, meu bem ? - Ela passava os dedos em meus cabelos, tentando fazer com que eu parasse de chorar, e começasse a lhe explicar tudo.
E foi exatamente o que eu fiz, depois de três garrafas de gim, e um maço de cigarros. Contei para Janis como me sentia a respeito dele, e mostrei o bilhete. Para minha completa surpresa, e indignação, ela riu.
- Meu amor ! Você não pode esperar que ele resolva tudo só, não é ? Se você quer algo, vai lá e pegue, antes que seja tarde demais. - Ela era iluminada, e sim, mais uma vez, estava certa. – O Who tá em turnê, por isso vocês não conseguem se falar, mas eu tenho contatos, posso armar uma situação para que se encontrem. Algo assim.
Minha mente trabalhou o mais rápido que pode, devido o torpor do álcool, e chegou à conclusão mais estúpida que poderia, só que era a única que tínhamos em mãos.
- O aniversário do Jim Morrison ! A gente poderia organizar alguma festa, em um pub, e chamar a galera do cenário musical. Que me diz ? - Eu socava a mesa de centro, em êxtase.
- Acho uma idéia arriscada, o Jim Morrison fica uma mala quando se droga, e eu tenho certeza de que é isso que ele vai fazer na própria festa de aniversário. - Ela fez uma careta de desgosto, e pra mim era óbvio que a pérola ainda não superara seus problemas com o rei lagarto. - Além disso, o Pete odeia o Jim, e você sabe, é provável que prefira que os caras da banda nem apareçam lá.
- Mas Janis, é a prova que precisamos ! Se o Keith aparecer, mesmo com as diferenças entre o Pete e o Jim... – Levantei meu olhar, esperançosa, e encarei minha amiga, decidia. – É sinal de que ele... ao menos se importa.
- E se o Jim se drogar ainda mais do que o de costume, e esquecer que você terminaram qualquer coisa que tinham antes ? – Ela riu, sabia que eu ficava sem graça quando falavam sobre isso.
- Eu afogo ele na piscina ! - E falava sério.
Janis me olhou por alguns segundos, e, com um sorriso, secou minhas lágrimas.
- Não há nada que Grace Slick peça chorando, que Janis Joplin negue, meu bem. - Ela, então, jogou as mãos ao alto, como se estivesse se rendendo. - Farei o que for preciso. Ligo pros Beatles, Pink Floyd, Grateful Dead, Jimi, Stones, Reed e Nico… Todos eles, todos !
Eu só podia agradecer por ter uma amiga tão perfeita quanto a Janis, sempre. E eu sentia, no fundo da minha alma, que dessa vez ia dar tudo certo !
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