Aqueles três meses passaram quase se arrastando, com montes de shows a fazer e coisas a resolver sobre a festa do Jim. Eu ficava me perguntando por que diabos escolhera uma data tão afastada no calendário, mas era tarde para mudar qualquer coisa, Janis já tinha feito seus telefonemas relevantes, e até fechado um pub em Londres, o Blind Beggar.
Quanto aos convidados, parecia que ninguém se sentia muito animado com a idéia de passar a noite inteira na companhia de Jim Morrison. Ele andava estressado demais, louco demais, drogado demais, era o que diziam. Então eu e Janis precisávamos lembra a todos o quanto Jim já havia sido um ótimo amigo, e que nós lhe devíamos isso.
Quando o dia oito de dezembro de 1969 finalmente chegou, eu mal podia conter a euforia ! Era isso, era o grande dia. Se ele fosse, então talvez... E se não fosse, o que fazer ? Escrever uma canção peçonhenta e afogar a mágoa com litros de bebida e mescalina, oras.
Como “responsáveis” pela festa, Janis e eu fomos as primeiras a chegar. Eu me sentia um tanto quanto aflita com a possibilidade de não aparecer quase ninguém, e sobrar pra gente o fardo de aguentar o Morrison drogado, rs. Mas, por sorte, logo a casa foi lotando.
Robert Plant chegou com três groupies loiras e peitudas, e um Jimmy Page mais bêbado do que eu julgaria ser possível. Hendrix chegou acompanhado dos Stones, e eu fiquei feliz em reconhecer Brian Jones, loiro e barbudo, ali no meio. Eu sabia que ele era bem amigo do Moon, e aquilo me pareceu um bom presságio.
Abri um largo sorriso quando vi Lennon fazendo imitações de Presley no centro do bar, e reconheci as covinhas de Macca, tão feliz quanto eu ficava em ver todos ali. Ringo e George estavam muito ocupados, escondendo bebidas na bolsa da Yoko, enquanto Dylan a distraía com uma conversa interessante sobre os blues. E Syd passou a noite inteira jogado num sofá, fora de si, observado atentamente por Bowie e Pop, que apostavam quando ele iria desmaiar.
Lembro de ter recebido e etiquetado os presentes de Reed, Nico, Mitchell, Garcia, Zappa, Warhol, John Kay, Santana e muitos outros. Era incrível como aquelas pessoas podiam esquecer sua diferenças e problemas pessoais, em nome de um pouco de álcool, diversão e festança gratuita. O próprio Jim parecia muito relaxado e pacífico, rindo com seus companheiros de mesa, agarrado à namorada, Pamela. Eu só não havia visto uma pessoa, ainda...
- Grace. Eles chegaram ! - E, como mágica, Janis apontava a porta do pub, e então eu o vi. Com aqueles olhos castanhos elétricos , carregando uma caixa gigantesca, onde se via escrito THE WHO SELL OUT JIM MORRISON, tão insanamente caricato, tão lindo.
- Ei Moon ! – Eu fui até ele, e indiquei onde ele devia deixar o presente. – Não é uma bomba, é ? – Tentava controlar meu sangue, antes que ele fervesse dentro de mim.
- Ah não. O Pete tentou, você sabe. Mas eu mandei ele ficar quieto, e não estragar sua festa. Aliás, os caras já estão por aí, trouxeram algumas garotas, tem problema ? – Ele me olhou de um modo intenso, como se quisesse arrancar mais do que uma simples informação.
- Não. É open bar, rs ! – Cutuquei seu ombro de leve, tentando aliviar a tensão do que viria a seguir. – E a sua garota, onde está ?
- Será que você não lembra que é minha garota, Grace ? – Ele deu um sorriso de lado, de repente tão sexy que eu fiquei sem reação. - Se você esquecer isso, de novo, terei que lhe lembrar de uma maneira, hã, mais prática.- E ele me fez sentir que nada podia atrapalhar aquele momento mágico. E como eu estava errada...
- Cai fora daqui idiota, essa festa é minha ! – Escutei uma voz ocre, vindo do canto do bar. Olhei em volta e senti uma imensa vontade de ter uma arma em mãos ! Jim tinha levantado, visivelmente tonto, e começado a gritar com o Townshend, que me parecia, até então, muito irritado, mas contido. Só que paciência tem limite, e ele também se levantou, enquanto o pub inteiro parava pra ver aquilo.
- A festa não é sua, é da Grace Slick e da Janis Joplin. E se você quer saber, devia ir pra casa se drogar com sua namoradinha, e nos deixar em paz.
Jim podia ser mais baixo que Pete, mas também era mais louco, e não considerou nenhum pouco arriscado jogar-se contra ele, com uma garrafa na mão.
- Ai céus ! Eu pedi pro Pete segurar a onda. Ele sabe como você... Como isso era importante pra mim ! – Keith aproximou seu rosto do meu e me deu o melhor presente que eu podia querer. Eu podia apostar que o gosto das anfetaminas que ele tomava não sairia da minha boca tão cedo ! – Eu vou cuidar disso, baby ! Mas olha, eu vou te procurar. – Ele sorriu e me abraçou apertado por alguns segundos. E então, como um anjo dourado, foi se meter na briga de Pete.
O resto da festa me vem como flashes. Lembro que os caras do Who saíram sem causar confusão, mas só porque o Keith pediu assim. Lembro que dez minutos depois, Jim nem se lembrava de ter brigado com alguém, e as pessoas começaram a ir embora aos poucos. Algumas drogadas, outras bêbadas, algumas sendo carregadas pelos agentes. A maior parte, entretanto, era uma mistura de sensações. Lembro de ter terminado o dia deitada no colo de Janis, e antes de apagar, eu só conseguia ver uma única coisa: Keith Moon.
Quanto aos convidados, parecia que ninguém se sentia muito animado com a idéia de passar a noite inteira na companhia de Jim Morrison. Ele andava estressado demais, louco demais, drogado demais, era o que diziam. Então eu e Janis precisávamos lembra a todos o quanto Jim já havia sido um ótimo amigo, e que nós lhe devíamos isso.
Quando o dia oito de dezembro de 1969 finalmente chegou, eu mal podia conter a euforia ! Era isso, era o grande dia. Se ele fosse, então talvez... E se não fosse, o que fazer ? Escrever uma canção peçonhenta e afogar a mágoa com litros de bebida e mescalina, oras.
Como “responsáveis” pela festa, Janis e eu fomos as primeiras a chegar. Eu me sentia um tanto quanto aflita com a possibilidade de não aparecer quase ninguém, e sobrar pra gente o fardo de aguentar o Morrison drogado, rs. Mas, por sorte, logo a casa foi lotando.
Robert Plant chegou com três groupies loiras e peitudas, e um Jimmy Page mais bêbado do que eu julgaria ser possível. Hendrix chegou acompanhado dos Stones, e eu fiquei feliz em reconhecer Brian Jones, loiro e barbudo, ali no meio. Eu sabia que ele era bem amigo do Moon, e aquilo me pareceu um bom presságio.
Abri um largo sorriso quando vi Lennon fazendo imitações de Presley no centro do bar, e reconheci as covinhas de Macca, tão feliz quanto eu ficava em ver todos ali. Ringo e George estavam muito ocupados, escondendo bebidas na bolsa da Yoko, enquanto Dylan a distraía com uma conversa interessante sobre os blues. E Syd passou a noite inteira jogado num sofá, fora de si, observado atentamente por Bowie e Pop, que apostavam quando ele iria desmaiar.
Lembro de ter recebido e etiquetado os presentes de Reed, Nico, Mitchell, Garcia, Zappa, Warhol, John Kay, Santana e muitos outros. Era incrível como aquelas pessoas podiam esquecer sua diferenças e problemas pessoais, em nome de um pouco de álcool, diversão e festança gratuita. O próprio Jim parecia muito relaxado e pacífico, rindo com seus companheiros de mesa, agarrado à namorada, Pamela. Eu só não havia visto uma pessoa, ainda...
- Grace. Eles chegaram ! - E, como mágica, Janis apontava a porta do pub, e então eu o vi. Com aqueles olhos castanhos elétricos , carregando uma caixa gigantesca, onde se via escrito THE WHO SELL OUT JIM MORRISON, tão insanamente caricato, tão lindo.
- Ei Moon ! – Eu fui até ele, e indiquei onde ele devia deixar o presente. – Não é uma bomba, é ? – Tentava controlar meu sangue, antes que ele fervesse dentro de mim.
- Ah não. O Pete tentou, você sabe. Mas eu mandei ele ficar quieto, e não estragar sua festa. Aliás, os caras já estão por aí, trouxeram algumas garotas, tem problema ? – Ele me olhou de um modo intenso, como se quisesse arrancar mais do que uma simples informação.
- Não. É open bar, rs ! – Cutuquei seu ombro de leve, tentando aliviar a tensão do que viria a seguir. – E a sua garota, onde está ?
- Será que você não lembra que é minha garota, Grace ? – Ele deu um sorriso de lado, de repente tão sexy que eu fiquei sem reação. - Se você esquecer isso, de novo, terei que lhe lembrar de uma maneira, hã, mais prática.- E ele me fez sentir que nada podia atrapalhar aquele momento mágico. E como eu estava errada...
- Cai fora daqui idiota, essa festa é minha ! – Escutei uma voz ocre, vindo do canto do bar. Olhei em volta e senti uma imensa vontade de ter uma arma em mãos ! Jim tinha levantado, visivelmente tonto, e começado a gritar com o Townshend, que me parecia, até então, muito irritado, mas contido. Só que paciência tem limite, e ele também se levantou, enquanto o pub inteiro parava pra ver aquilo.
- A festa não é sua, é da Grace Slick e da Janis Joplin. E se você quer saber, devia ir pra casa se drogar com sua namoradinha, e nos deixar em paz.
Jim podia ser mais baixo que Pete, mas também era mais louco, e não considerou nenhum pouco arriscado jogar-se contra ele, com uma garrafa na mão.
- Ai céus ! Eu pedi pro Pete segurar a onda. Ele sabe como você... Como isso era importante pra mim ! – Keith aproximou seu rosto do meu e me deu o melhor presente que eu podia querer. Eu podia apostar que o gosto das anfetaminas que ele tomava não sairia da minha boca tão cedo ! – Eu vou cuidar disso, baby ! Mas olha, eu vou te procurar. – Ele sorriu e me abraçou apertado por alguns segundos. E então, como um anjo dourado, foi se meter na briga de Pete.
O resto da festa me vem como flashes. Lembro que os caras do Who saíram sem causar confusão, mas só porque o Keith pediu assim. Lembro que dez minutos depois, Jim nem se lembrava de ter brigado com alguém, e as pessoas começaram a ir embora aos poucos. Algumas drogadas, outras bêbadas, algumas sendo carregadas pelos agentes. A maior parte, entretanto, era uma mistura de sensações. Lembro de ter terminado o dia deitada no colo de Janis, e antes de apagar, eu só conseguia ver uma única coisa: Keith Moon.

