Come on, come on, come on, come on now, touch me, babe. Can't you see that I am not afraid? What was that promise that you made? Why won't you tell me what she said? What was that promise that you made? Now, I'm gonna love you 'til the heaven stops the rain. I'm gonna love you 'til the stars fall from the sky for you and I.








people in motion.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

CAPÍTULO TRÊS: THE WHO SELL OUT JIM MORRISON.

       Aqueles três meses passaram quase se arrastando, com montes de shows a fazer e coisas a resolver sobre a festa do Jim. Eu ficava me perguntando por que diabos escolhera uma data tão afastada no calendário, mas era tarde para mudar qualquer coisa, Janis já tinha feito seus telefonemas relevantes, e até fechado um pub em Londres, o Blind Beggar.
       Quanto aos convidados, parecia que ninguém se sentia muito animado com a idéia de passar a noite inteira na companhia de Jim Morrison. Ele andava estressado demais, louco demais, drogado demais, era o que diziam. Então eu e Janis precisávamos lembra a todos o quanto Jim já havia sido um ótimo amigo, e que nós lhe devíamos isso.
       Quando o dia oito de dezembro de 1969 finalmente chegou, eu mal podia conter a euforia ! Era isso, era o grande dia. Se ele fosse, então talvez... E se não fosse, o que fazer ? Escrever uma canção peçonhenta e afogar a mágoa com litros de bebida e mescalina, oras.
       Como “responsáveis” pela festa, Janis e eu fomos as primeiras a chegar. Eu me sentia um tanto quanto aflita com a possibilidade de não aparecer quase ninguém, e sobrar pra gente o fardo de aguentar o Morrison drogado, rs. Mas, por sorte, logo a casa foi lotando.
       Robert Plant chegou com três groupies loiras e peitudas, e um Jimmy Page mais bêbado do que eu julgaria ser possível. Hendrix chegou acompanhado dos Stones, e eu fiquei feliz em reconhecer Brian Jones, loiro e barbudo, ali no meio. Eu sabia que ele era bem amigo do Moon, e aquilo me pareceu um bom presságio.
       Abri um largo sorriso quando vi Lennon fazendo imitações de Presley no centro do bar, e reconheci as covinhas de Macca, tão feliz quanto eu ficava em ver todos ali. Ringo e George estavam muito ocupados, escondendo bebidas na bolsa da Yoko, enquanto Dylan a distraía com uma conversa interessante sobre os blues. E Syd passou a noite inteira jogado num sofá, fora de si, observado atentamente por Bowie e Pop, que apostavam quando ele iria desmaiar.
       Lembro de ter recebido e etiquetado os presentes de Reed, Nico, Mitchell, Garcia, Zappa, Warhol, John Kay, Santana e muitos outros. Era incrível como aquelas pessoas podiam esquecer sua diferenças e problemas pessoais, em nome de um pouco de álcool, diversão e festança gratuita. O próprio Jim parecia muito relaxado e pacífico, rindo com seus companheiros de mesa, agarrado à namorada, Pamela. Eu só não havia visto uma pessoa, ainda...
       - Grace. Eles chegaram ! - E, como mágica, Janis apontava a porta do pub, e então eu o vi. Com aqueles olhos castanhos elétricos , carregando uma caixa gigantesca, onde se via escrito THE WHO SELL OUT JIM MORRISON, tão insanamente caricato, tão lindo.
       - Ei Moon ! – Eu fui até ele, e indiquei onde ele devia deixar o presente. – Não é uma bomba, é ? – Tentava controlar meu sangue, antes que ele fervesse dentro de mim.
       - Ah não. O Pete tentou, você sabe. Mas eu mandei ele ficar quieto, e não estragar sua festa. Aliás, os caras já estão por aí, trouxeram algumas garotas, tem problema ? – Ele me olhou de um modo intenso, como se quisesse arrancar mais do que uma simples informação.
       - Não. É open bar, rs ! – Cutuquei seu ombro de leve, tentando aliviar a tensão do que viria a seguir. – E a sua garota, onde está ?
       - Será que você não lembra que é minha garota, Grace ? – Ele deu um sorriso de lado, de repente tão sexy que eu fiquei sem reação. - Se você esquecer isso, de novo, terei que lhe lembrar de uma maneira, hã, mais prática.- E ele me fez sentir que nada podia atrapalhar aquele momento mágico. E como eu estava errada...
       - Cai fora daqui idiota, essa festa é minha ! – Escutei uma voz ocre, vindo do canto do bar. Olhei em volta e senti uma imensa vontade de ter uma arma em mãos ! Jim tinha levantado, visivelmente tonto, e começado a gritar com o Townshend, que me parecia, até então, muito irritado, mas contido. Só que paciência tem limite, e ele também se levantou, enquanto o pub inteiro parava pra ver aquilo.
       - A festa não é sua, é da Grace Slick e da Janis Joplin. E se você quer saber, devia ir pra casa se drogar com sua namoradinha, e nos deixar em paz.
       Jim podia ser mais baixo que Pete, mas também era mais louco, e não considerou nenhum pouco arriscado jogar-se contra ele, com uma garrafa na mão.
       - Ai céus ! Eu pedi pro Pete segurar a onda. Ele sabe como você... Como isso era importante pra mim ! – Keith aproximou seu rosto do meu e me deu o melhor presente que eu podia querer. Eu podia apostar que o gosto das anfetaminas que ele tomava não sairia da minha boca tão cedo ! – Eu vou cuidar disso, baby ! Mas olha, eu vou te procurar. – Ele sorriu e me abraçou apertado por alguns segundos. E então, como um anjo dourado, foi se meter na briga de Pete.
       O resto da festa me vem como flashes. Lembro que os caras do Who saíram sem causar confusão, mas só porque o Keith pediu assim. Lembro que dez minutos depois, Jim nem se lembrava de ter brigado com alguém, e as pessoas começaram a ir embora aos poucos. Algumas drogadas, outras bêbadas, algumas sendo carregadas pelos agentes. A maior parte, entretanto, era uma mistura de sensações. Lembro de ter terminado o dia deitada no colo de Janis, e antes de apagar, eu só conseguia ver uma única coisa: Keith Moon.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CAPÍTULO DOIS: A PÉROLA, JANIS JOPLIN.

       Eu sabia que era um risco. Eu sabia que ele era famoso, e amado pelas pessoas. Eu sabia que haveria sempre dezenas de groupies perseguindo Keith Moon, aonde quer que ele fosse. Eu podia ver claramente que nada do que ele dissera aquele dia era verdade. Eu podia entender perfeitamente que ele só tinha sido gentil para que eu relaxasse... Mas então, porque eu não conseguia esquecê-lo ?
       Já havia se passado duas semanas desde aquele dia nos bastidores do Woodstock, e eu não o vira mais. Pelo menos não fisicamente, porque na verdade, ele não saia da minha mente. E, da mesma forma que seu cheiro de madeira antiga, o som de sua risada doce me perseguia onde quer que eu fosse. Estúdios, shows, sessões de fotos... Qualquer lugar ! E, mesmo que eu tentasse esconder meus sentimentos, as pessoas ao meu redor começaram a perceber que algo não ia bem. E evitavam perguntar qualquer coisa, simplesmente porque achavam que era efeito dos meus remedinhos ocasionais, e que eu iria me irritar profundamente com aquela invasão.
       Todos, exceto Janis. Ah não, ela não podia me ver pra baixo, e não tentar, de todas as maneiras possíveis, consertar o que quer que fosse. Era isso que fazia dela uma grande irmã, um dos grandes amores da minha vida.
       - O que você tem, Grace ?
       Era a pergunta que ela me fazia diariamente, sempre esperando pela resposta que eu me recusava a dar. Ou melhor, que me recusei a dar, até aquela tarde de sábado, quente como o cão. Lembro bem que tudo pareceu se concentrar e ganhar mais força do que deveria. O calor, a tensão, o tédio, a ressaca sem fim... Acho que tudo isso fez com que eu atravessasse a sala, aos prantos, só parando quando Janis me abraçou apertado, e sussurrou em meu ouvido:
       - Conte-me o que há de errado, doce criança.
       Eu me sentia segura perto de Janis, ela sempre me protegera e ajudara, quando Julie, minha mãe, não estava por perto. E eu me sentia forte o suficiente para lhe contar tudo.
       - É o Keith. Quer dizer, ele não fez nada, mas é exatamente isso que me mata ! Porque ele não me procura Janis ? - Afundei meu rosto no seu pescoço, deixando um rastro de lágrimas em sua camiseta.
       - Que Keith, meu bem ? - Ela passava os dedos em meus cabelos, tentando fazer com que eu parasse de chorar, e começasse a lhe explicar tudo.
       E foi exatamente o que eu fiz, depois de três garrafas de gim, e um maço de cigarros. Contei para Janis como me sentia a respeito dele, e mostrei o bilhete. Para minha completa surpresa, e indignação, ela riu.
       - Meu amor ! Você não pode esperar que ele resolva tudo só, não é ? Se você quer algo, vai lá e pegue, antes que seja tarde demais. - Ela era iluminada, e sim, mais uma vez, estava certa. – O Who tá em turnê, por isso vocês não conseguem se falar, mas eu tenho contatos, posso armar uma situação para que se encontrem. Algo assim.
       Minha mente trabalhou o mais rápido que pode, devido o torpor do álcool, e chegou à conclusão mais estúpida que poderia, só que era a única que tínhamos em mãos.
       - O aniversário do Jim Morrison ! A gente poderia organizar alguma festa, em um pub, e chamar a galera do cenário musical. Que me diz ? - Eu socava a mesa de centro, em êxtase.
       - Acho uma idéia arriscada, o Jim Morrison fica uma mala quando se droga, e eu tenho certeza de que é isso que ele vai fazer na própria festa de aniversário. - Ela fez uma careta de desgosto, e pra mim era óbvio que a pérola ainda não superara seus problemas com o rei lagarto. - Além disso, o Pete odeia o Jim, e você sabe, é provável que prefira que os caras da banda nem apareçam lá.
       - Mas Janis, é a prova que precisamos ! Se o Keith aparecer, mesmo com as diferenças entre o Pete e o Jim... – Levantei meu olhar, esperançosa, e encarei minha amiga, decidia. – É sinal de que ele... ao menos se importa.
       - E se o Jim se drogar ainda mais do que o de costume, e esquecer que você terminaram qualquer coisa que tinham antes ? – Ela riu, sabia que eu ficava sem graça quando falavam sobre isso.
       - Eu afogo ele na piscina ! - E falava sério.
       Janis me olhou por alguns segundos, e, com um sorriso, secou minhas lágrimas.
       - Não há nada que Grace Slick peça chorando, que Janis Joplin negue, meu bem. - Ela, então, jogou as mãos ao alto, como se estivesse se rendendo. - Farei o que for preciso. Ligo pros Beatles, Pink Floyd, Grateful Dead, Jimi, Stones, Reed e Nico… Todos eles, todos !
       Eu só podia agradecer por ter uma amiga tão perfeita quanto a Janis, sempre. E eu sentia, no fundo da minha alma, que dessa vez ia dar tudo certo !

terça-feira, 15 de junho de 2010

CAPÍTULO UM: “Hoje vai ter Lua”

        Eu sempre ficava muito tensa antes dos shows, pensando em tudo que poderia dar errado, imaginando se eu não ia esquecer os versos de White Rabbit... E, naquele dia em especial, tudo parecia 3.000 vezes mais denso ! Era o Woodstock, nossa ! Eu mal podia acreditar que estava ali. Tudo bem, havia feito o Monterey Pop Festival dois anos antes, encontrado gente louca, feito amigos, mas hoje seria muito mais intenso !
        A tensão era tamanha que achei melhor andar um pouco, ver a galera esperando o show talvez me aliviasse, ou não, rs.
        - Marty, vou sair. Não esquece de verificar as cordas, tá ? Volto logo. - E caí fora antes que meu segundo vocalista me mandasse à merda, por lembrá-lo das cordas mais uma vez. Meus pés saíram a esmo pelo caminho enlameado, eu realmente não prestava atenção em nada nem ninguém, perseguindo meu próprio coelho branco, concentrada. - One pill makes your larger.. - Cantava os versos da música mais esperada do nosso repertório, fazendo o possível para não esquecer nada, quando alguém apareceu subitamente na minha frente. O encontro foi inevitável e eu fui ao chão.
        - Opa Grasseane ! Cuidado aí. - Quem quer que fosse o responsável pela minha queda, parecia se divertir com a situação.
        - Porque você não me ajuda aqui ô... - Olhei pra cima tentando ver quem era, mas o pôr-do-sol criava umas sombras sinistras, que tornaram meu trabalho impossível. - Você aí. Rs.
        - E porque levantar ? Você fica tão doce coberta de lama, baby. - Ele executou algo que deveria ser um sapateado com ares de flamenco e sentou-se ao meu lado, radiando alegria. Era tão intensamente feliz que eu tive que ceder e relaxar.
        - Isso porque não é você que está cheia de lama, e tensa com o show, querido. - O sol ia descendo, e ficando cada vez mais escuro, e eu ainda não conseguia ver quem estava ao meu lado. "Talvez quando ligarem os refletores", pensei.
O meu acompanhante misterioso se esticou sobre o chão, mais confortável do que eu acharia possível, e riu.
        - Quem disse que eu não tô tenso pequena ? - Ele então me puxou para baixo, e apertou meu rosto contra o próprio peito. - Não escuta meu coração ? Ten-Ten-São, Ten-Ten-São ! rs. - Eu não só ouvia o coração dele, acelerado, como também sentia seu cheiro doce de madeira antiga, minha vontade era ficar ali pra sempre. - O importante é que você se divirta e faça seu melhor Grace, pronto.
        Ele dizia isso enquanto passava os dedos na minha nuca, e então eu me senti mais feliz do que me sentia há meses. Meu próprio coração começou a executar compassos rápidos, que nada tinham a ver com tensão.
        - Você, tenso ?! Isso quer dizer que vai tocar ! Qual é sua banda ? - Era uma pena que eu não conseguisse vê-lo, ou reconhecer sua voz, que me parecia familiar. - Fala aê.
        - Ah, você vai descobrir, Grace. Agora, eu tenho mesmo que ir, certo ?! - Ele me soltou com carinho, e beijou a ponta do meu queixo. - Prometa que não vai mais esbarrar em ninguém por aí. Você agora é minha. - E ele se foi, antes que eu pudesse adivinhar seu nome no escuro.
        Levei um tempo longo demais até voltar para o lugar onde a minha banda se aquecia antes do show, pensando em como eu podia tê-lo deixado ir, assim, sem dizer seu nome. A minha expressão era tão chateada e carrancuda, que o Marty até se preocupou comigo.
        - Hey Grace, o que houve ? Você tá legal ? Tá toda coberta de lama, o que aconteceu ?
        Eu nem prestei atenção no que ele me dizia, chateada porque eu sabia que havia perdido aqueles momentos felizes pra sempre. Se pudesse, eu teria ficado pra sempre deitada naquele chão molhado, tão bem acompanhada.
        - Hã, certo Marty... - respondi de qualquer maneira.
        Ele meneou a cabeça, meio que me compreendendo, daquela forma mágica que só grandes amigos são capazes, e sorriu.
        - Deixaram esse bilhete pra você, acho que explica tudo não é ? - E ele me entregou um pedaço de papel meio amassado dos lados, que eu abri e li rápido, com o coração aos saltos.

                "Boa noite minha doce e enlameada Grasseane.
                Não se preocupe com seu show.
                Parece que hoje vai ter lua, rs.
                E vai dar tudo certo.
                Um abraço, Keith Moon."


        - Marty ! Ah como eu amo você ! - E eu abracei um antônito Marty Balin, que realmente não podia compreender porque um papel me fizera tão deliciosamente feliz.