- Severo! – A garota o chamava, andando desesperada atrás dele. - Severo volte aqui! Pare... Por favor... Sev...
Ele continuava andando furioso na frente dela. Não precisava, e não iria, virar o rosto para vê-la chorar. Sabia que se fizesse isso não conseguiria manter a fúria que sentia e iria perdoá-la. Mas ela não merecia...
- Não, Lilly. Não consigo entender você, justo você, andando pra cima e pra baixo com aquele metido do Potter.
- Você não fica tão irritado pela Velerie andando com o Sirius! Porque simplesmente não anda com eles também? São boa gente, Sev... – Ela o tinha alcançado e agora os dois conversavam baixo no corredor de História da Magia.
- Quem disse que não fico chateado? Porque fico sim! – Era em parte verdade. Severo sentia ciúmes das duas garotas, pois eram suas únicas amigas e ele era extremamente controlador. Mas o ciúme que sentia por Velerie andando com o Sirius Black não era nada quando comparado ao devastador ódio que Tiago Potter despertara quando começou a namorar a SUA Líllian. – E eu não tenho que gostar dos seus novos amigos, já que você insiste em desprezar os meus...
- Não ouse compará-los, Severo Snape! – A voz dela era fria quando o cortou no meio da fala. – Seus “amigos” são pessoas más. São malignos! Avery e Mulciber... Mulciber, Sev! Você viu o que ele fez com a Mary Macdonald aquele dia?!
- Aquilo não foi nada Lilly, era só brincadeira...
- Brincadeira?! Aquilo era magia das trevas Sev! Você não pode fingir que é brincadeira... Ou vai se tornar como eles?! Saindo pelo castelo dizendo que quer ser Comensal da Morte, junto com Malfoy e os outros?! – Ela estava indignada. – Não quero que isso aconteça. Eu me importo com você...!
No momento em que a ouviu dizendo que se importava com ele, a fúria de Snape desapareceu. Dissipou-se em um largo sorriso, que fez com que Lilly suspirasse aliviada.
- Vem. – Ele disse, pegando-a gentilmente pela mão. – A gente vai se atrasar pra aula...
Severo Snape acordou totalmente devastado pelo sonho que tinha acabado de ter. Fazia anos que ele não sonhava sobre o passado, sobre a juventude; e num esforço sobre-humano tinha conseguido deixar Lilly Evans longe do seu subconsciente. Na verdade, mal conseguia recordar quando havia sido a última vez que tinha tido sonhos. Distraído, levou a mão até o antebraço esquerdo enquanto repensava, pela milésima vez, todos os seus atos e erros do passado.
Ao perceber que já era de manhã, suspirou cansado e saiu da cama. Lembrou-se que naquele mesmo momento, em Londres, bruxos preparavam o expresso de Hogwarts para a longa viagem que faria, trazendo consigo todos os alunos da escola. Dentre esses alunos, um em especial já o irritava profundamente, mesmo antes de chegar ali. Harry Potter, “o menino que sobreviveu”, o filho do tão odiado Tiago Potter com a sua, SUA Lilly... Terminou de se vestir e, muito irritado, não pôde conter o fluxo de pensamentos malignos que fizeram com que sua varinha, mesmo metros distante, sobre a escrivaninha, soltasse um jorro de faíscas vermelhas para o teto da masmorra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário