Suas cinzas mancham minhas mãos:
- Jim Morrison (18)
- Fan Fiction (9)
- Daqui ninguém sai vivo - Daniel Sugerman (6)
- Things Can Always Change (6)
- Grace Slick (3)
- Queen (2)
- Os Últimos Dias - Philip Steele (1)
- maylor (1)
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Sobre a vida.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
O deserto não é só de areia, afinal.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Vagabundos.
- Mãe, quem era esse homem?
- Ora, um vagabundo.
- Mama, quando crescer também quero ser vagabundo.
- Cale a boca, menino. Um Morrison não nasceu para isso.
Mas eu jamais esqueci aquele dia, e quando cresci, depois de tentar o cinema durante uma curta temporada, tornei-me de fato um vagabundo. Talvez não o mesmo tipo de vagabundo que pede pedaços de torta, talvez um vagabundo que canta. Mas que diferença faz?
sábado, 15 de maio de 2010
Empregos, empregos.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
i am the lizard king and i will not be headed
de que me importa a vida
se dela ninguém sai inteiro ?
é uma maldita carnificina no meio da estrada
e eu não me apego às coisas, à nada
vivo, ou melhor, habito, entre opostos
me dou a tudo que me cerca
atravesso o espaço, o tempo, o tudo
atravesso o corpo, o fluido, o mundo
sou o rei lagarto e posso fazer o que quiser
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Bem vindo ao mundo misterioso.
Saindo da terra surgiu-me um espectro, vermelho. O mais curioso era o fato de que seu pescoço e rosto não existiam, e o corpo terminava conectado a lugar nenhum. Talvez por este motivo usasse uma máscara branca, era sua forma de demonstrar as expressões e sensações. Disse-me “Olá”. Sua voz era mais um sussurro frágil e envolvente do que fala. Mesmo eu sendo apenas um pequeno garoto, conseguia compreender o que ele realmente era: misterioso.
Então eu lhe perguntei quem era, e a resposta que ouvi não foi exatamente concreta. “Sou um anjo”, ele me disse. “Mas qual é o seu nome?” Eu insistia. “Satan”. Foi neste momento que eu percebi que aquilo não era um sonho ruim, mas um processo de glória, um momento de celebração interna. O espectro provou que conhecia muito bem minha alma, pois me questionou o que havia de errado, ao que eu insisti que não era nada. “Apenas é um nome um tanto estranho para um anjo”, disse-lhe. Ele me convidou a entrar no que chamava de Mundo Misterioso, um lugar onde tudo era o centro de tudo e todas as coisas estavam correlacionadas sob o julgo de Satan. Era como uma ilha.
Com um gesto, ele fez surgir ao longo da terra flores, cipós, grama, todas as pétalas coloridas do mundo. Uma profusão de natureza. Tentava me impressionar. E conseguia cada vez mais. “Como você aprendeu a fazer isso?”. “Eu não aprendi, na verdade. Isso vem naturalmente de mim, como outras coisas curiosas. Está com fome?” Eu estava. “Que tipo de fruta tu gostas mais?” Gostava muito de maçã, e antes que eu pudesse dizer-lhe, três delas surgiram em minhas mãos. Enquanto eu me ocupava comendo minhas maçãs, Satan fez surgir no meio da ilha um pequeno castelo de barro. Pediu-me que modelasse pessoas com bolotas de barro que ele me entregava. Pôs todas as minhas criações juntas e com um simples toque de suas mãos, elas criaram vida. Era interessante e instigante ver meus miúdos homenzinhos vivendo pacificamente no meio daquela ilha salutar.
Então ele modelou um pequeno boi, que foi posto no meio de dois dos meus bonecos, e imediatamente eles começaram a disputar o bovino. Satan observava a briga, verdadeiramente intrigado. “Acho vocês humanos muito interessantes. Mesmo sendo uma raça inútil e gananciosa.” Os meus homenzinhos agora travavam uma verdadeira guerra em seu pequeno mundinho, e o barulho era realmente horrível. “Que som irritante que tem!” A máscara de Satan refletia sua irritação, e com uma mãozada ele achatou todos os meus miúdos. “Tolos. Este planeta é com certeza fascinante. Estranhos mortais com estranhos costumes. Que tal um terremoto agora? Você tem que estar atento, se manter fora do perigo.” E mais uma vez ele agitou sua mãos, só que agora não mais criavam coisas e sim destruíam.
O toque de Satan destruiu o que restava do pequeno mundo de barro. “Não posso fazer nada de errado... Se nem ao menos sei o que é errado.” “Você os matou!”. Eu o acusei. “Não ligue para eles. Estas pessoas não têm valor. Podemos fazer mais deles se precisarmos”. Dei meia volta e corri. Nunca soube se tudo não passou de um sonho estranho. É o que acontece quando você é mais estranho ainda.
satan once said:
A vida na verdade é apenas uma visão...
Um sonho. Nada existe além de um espaço vazio e
você. Você não é mais do que um pensamento.
break (me)

os bares de topless.
A barreira entre "lá" e "cá"

Penetrar nas coisas não é realmente do meu interesse. Passar adiante ou ao lado das coisas não é do meu interesse. A minha única motivação é atravessar tudo. Eu li sobre os outros que o fizeram antes de mim, e acredito que é possível. E quero que vocês venham comigo. Estaremos dentro dos portões ao anoitecer.
Esses primeiros anos mágicos de minha vida não são mais do que visitas abreviadas a este outro lugar - um território que transcende o bem e o mal; uma paisagem sensual, dramática e musical. E, claro, a derradeira investida para o outro lado é a morte. É possível andar na cerca entre a vida e a morte, entre "cá" e "lá" por muito tempo. Eu o faço, acenando freneticamente o meu braço para que vocês se juntem a mim.
Tristemente, preciso mais de vocês do que vocês de mim. Seguramente, sei que não estão preparados para onde os quero levar. Querem me observar e querem seguir-me, mas não o fazem. Não podem. E eu não posso parar. Assim, sigo sozinho, sem vocês. Nunca mais haverá alguém como eu.
terça-feira, 11 de maio de 2010
8 de janeiro de 1964 -
Foi então que eu aceitei aquele papel ridículo, pus a máscara. Oras, que me importava perder um dia ou dois, ou talvez até uma semana dentro daquele navio, desde que fosse para que meu pai se sentisse comodamente feliz. Com seu filho em seu navio e seus marinheiros, saltitantes, celebrantes, com cerveja ?
Cortei meu cabelo rente e fui-me até o Moby Dick.
Quando cheguei lá, disseram-me que meu corte ainda não cumpria as exigências e trataram de levar-me ao barbeiro do navio, para outro corte. Sentia-me furioso, queimando, feito brasa por dentro. Entretanto, permiti que me cortasse o cabelo ao estilo capitão: tosquiado, curto atrás e dos lados, apenas suficientemente grande em cima para fazer a risca.
Meu pai parecia verdadeiramente orgulhoso, mas atento a todos os meus movimentos. Levou-me à ponte de comando; apresentou-me aos oficiais. Apertei todas aquelas mãos sem a menor vontade e agradeci graciosamente as apresentações, sem sorrir um segundo sequer. Um fotógrafo oficial da marinha tirou algumas fotografias.
Mais tarde, foram lançados ao mar alvos parecidos com figuras humanas, e puseram em minhas mãos uma metralhadora e me deram a oportunidade de atirar nos objetos que se agitavam no oceano. E eu atirava naquilo como se atirasse em todos aqueles presentes no navio.
