Come on, come on, come on, come on now, touch me, babe. Can't you see that I am not afraid? What was that promise that you made? Why won't you tell me what she said? What was that promise that you made? Now, I'm gonna love you 'til the heaven stops the rain. I'm gonna love you 'til the stars fall from the sky for you and I.








people in motion.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

3. Você não pode fingir para mim

Severo andava inquieto por sua masmorra sentindo-se totalmente irritado e de péssimo humor. Mas também, não era nada à toa, com aquele dia terrível que estava tendo! Não bastava aquele sonho extremamente desconfortável com Lilly, também tivera que encarar os seus olhos vivos novamente em seu filho, Harry... Potter! Como ele odiava aquele garoto! Odiava todos os Potter, definitivamente. E, além disso, como que para coroar a noite, revira Velerie. Porque será que de repente, depois de tantos anos, todo o seu passado voltava para atormentá-lo? E ele estava completamente certo de que a inquietante mulher viria procurá-lo. Afinal, o que mais ele poderia esperar de alguém que fora da Grifinória, sempre metidos no que deviam?!Seus pensamentos confusos foram interrompidos por uma leve batida na porta de sua sala.

- Sev? – Reconheceu a voz suave dela, epara sua própria surpresa imediatamente sentiu-se um pouco mais calmo. “Não seja idiota Severo! Você sabe o poder que ela tem”, pensava consigo enquanto caminhava em direção à porta. Quando girou a maçaneta, encontrou aquele par de olhos acinzentados, que, apesar de suas habilidades na arte de ler mentes,quase sempre eram um grande enigma pra ele.

- Velerie Moon... A que devo o prazer de sua visita? -

Ela se sentiu desconfortável pelo óbvio tom irônico da voz dele. Se realmente era um prazer, definitivamente não foi o que pareceu.

- Bom, depois de tanto anos, achei que meu sono poderia esperar enquanto conversávamos. Você não?

Snape pensou em rebater aquela pergunta com algum desaforo. Mas por alguma razão não conseguia sequer suportar a ideia de infligir mais sofrimento àquela mulher, que afinal de contas era sua amiga mais antiga e mais íntima.

- Sente-se. – Ele limitou-se a dizer, enquanto conjurava duas poltronas de veludo vermelho, uma de frente para a outra, no centro da sala.

Velerie sentou-se e esperou que ele também se acomodasse antes de prosseguir. Observava a masmorra curiosa. As paredes eram cinzentas e frias, haviam frascos com animais embalsamados nas estantes. Era um lugar meio inóspito, talvez até ameaçador. Ela com certeza jamais conseguiria viver ali e se admirava que Severo conseguisse.

- É bom ver você Sev. – À menção do apelido carinhoso que lhe fora dado por Lilly, Severo pareceu transparecer um enorme cansaço.

- O que você faz aqui depois de tantos anos, Velerie?! – Ele a encarou, insistentemente.

- Eu estou... Simplesmente de volta. – Ela suspirou. – Não é o suficiente, Sev?

- O SUFICIENTE?! – Ele explodiu. Sua fúria finalmente transpareceu além do semblante indiferente. – Eu procurei você quando mais precisei! Quando estava submerso em raiva e dor e medo... E você... Você me virou o rosto, Velerie. Disse que era minha culpa e que nunca mais queria me ver, NUNCA MAIS! Pois bem, não precisa vir aqui bancar a boa moça, pode ir embora agora... – Ele havia levantado da poltrona e permanecia de costas para ela, parado em frente a uma mesinha no canto da masmorra. Seus punhos estavam fechados e apoiados contra a madeira, a pele ficando cada vez mais branca por causa da força com que ele apertava a superfície, furioso. Ela sabia que ele estava certo. Sabia que tinha traído a confiança dele e aquilo era uma das coisas que mais doíam em toda a sua vida.

- Sev... Sev, por favor, entenda... Todos cometemos erros. Você cometeu os seus e eu, os meus... – Ele virou o rosto e seus os olhos intensamente negros encararam os dela, azuis. Ficaram ambos se olhando por um longo tempo, sem ter coragem de dizer as coisas que sabiam que precisavam ser ditas.

– Me desculpe. Desculpe-me por ter dito que era sua culpa Lilly ter morrido. Eu era jovem demais, Sev, eu não entendia o que o seu amor por ela poderia fazer. Ou o que o seu ódio por Tiago poderia fazer...

- Não ouse vir aqui e relembrar essas coisas do passado. Não depois de tantos anos... – Ele tentava manter a voz firme e controlada, mas Velerie o conhecia o suficiente para saber que, por baixo de toda aquela máscara, Severo sentia uma enorme dor, um fardo maior do que tudo.

- Sev? Você pode, por favor... Em nome de tudo que eu disse e de tudo que você sabe... Pode perdoar uma amiga que sente muito sua falta?

Snape engoliu a raiva por um segundo e refletiu sobre as coisas. Decidiu que não haveria mal em, depois de tantos anos, agora que estava controlado, que não sentia mais aqueles sentimentos bobos da juventude - como o afeto e os ciúmes - deixar que Velerie entrasse na vida dele novamente. Suspirou derrotado enquanto voltava a sentar na poltrona no centro da sala.

- Tudo bem Velerie... Vel... – Ele deu um leve sorriso amargo. – Tudo bem. Você tem razão. Eu não quis admitir aquela noite, mas você tinha razão. Foi minha culpa. – Ele disse enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos e cobria o rosto com as mãos. Sentia-se muito cansado de tudo.

Velerie sacudiu a cabeça, desconfortável por aquela situação. Levantou de sua poltrona e se ajoelhou na frente de Severo Snape.

- Sev?! – Ela chamou o nome dele e fez com que ele a olhasse. – Não se sinta assim. – Então pôs a mão direita sobre o peito esquerdo dele e começou a falar com a voz embargada. – As pessoas se acostumaram a acreditar que você não tinha um coração, e até você começou a crer nisso, Sev. Mas eu, eu e Lilly, sempre soubemos que você tinha um dos maiores corações do mundo, à sua própria maneira. – Snape a olhou inexpressivo, esperando que ela terminasse seu pequeno discurso. – Agora que ela se foi, e eu sou a única que ainda está aqui...Não vou mais embora. Não vou mais embora até que você também entenda, e se conheça, e acredite que...

Provavelmente ela teria falado muito mais se Snape não tivesse posto a mão sobre a dela, e dito num tom totalmente sarcástico:

- Você passou tempo demais com os trouxas, Vel...E provavelmente bebeu vinho demais no banquete também... – E então ele se levantou e abriu a porta da masmorra. – Você tem o que queria, somos amigos de novo, não é assim?! Agora, se não se importa, eu realmente preciso dormir, tenho aulas para dar amanhã e não sou um homem irresponsável com minhas obrigações.

A raiva tomou conta dela, transparecia em seus poros e queimava em seus olhos azuis. Como poderia aquele homem, depois de tudo que haviam passado, tratá-la daquela forma fria? O pensamento de que talvez Snape fosse mesmo o frio e calculista Comensal da Morte de que todos falaram a respeito no passado cruzava sua mente... Mas então, antes que pudesse falar qualquer coisa que piorasse ainda mais a situação, Velerie lembrou-se de que Snape tinha a confiança de Dumbledore – e, se ela era insegura quanto ao seu próprio julgamento em relação àquele homem, jamais o seria a respeito do julgamento do diretor.

- Boa noite, Prof. Snape. – Ela despediu-se friamente e foi embora, deixando para trás um Severo Snape completamente desconcertado e lívido em fúria.

Velerie esperou até que todos terminassem o hino de Hogwarts, o que foi um grande tormento, tendo em conta que os gêmeos Weasley levaram quase a noite inteira em ritmo de marcha fúnebre. Viu todos os alunos retirarem-se do grande Salão, em direção as suas salas comunais e aos dormitórios. Viu quando Snape saiu da mesa dos professores, com uma mesura para Dumbledore, e saiu do Salão, com suas vestes negras esvoaçantes. O jeito que ele andava ainda era o mesmo da juventude dos dois, extremamente solene, mas cheio de personalidade. “Bom, exatamente como o próprio Sev”, ela pensou consigo mesma.

Tentou escapulir dos velhos professores que haviam lhe ensinado e ainda estavam em Hogwarts, mas não conseguiu. Teve que inventar uma história sobre como esteve ocupada esses dez anos no exterior, estudando as sociedades bruxas e trouxas ao redor do mundo. Ninguém, além de Dumbledore e talvez Severo, que era extremamente fiel ao diretor, deveria saber da verdade sobre sua ausência do mundo bruxo. Parou a Profa. Minerva no pé da escada e, como quem não queria nada, perguntou onde eram os aposentos de Severo.

- Ah, Vel, minha querida. Antes de qualquer coisa, você deveria saber... – Minerva respondeu-lhe, sem conseguir, entretanto, esconder sua curiosidade sobre o motivo daquela pergunta. – Que é muito bom ter você de volta em Hogwarts. E o Prof. Snape, naturalmente, encontra-se nas masmorras, onde ensina Poções e insiste em viver. Não sei como consegue, naquele lugar tão abafado e frio...

- Ah, Profa. Minerva, ambas sabemos que nenhum lugar estaria mais adequado à personalidade dele, não é verdade?

- Bom, sim, acho que devo admitir que você está com a razão. – Ela disse-lhe, relutante.

- Nesse caso, professora, tenha uma ótima noite e nos vemos amanhã, no café, não?

E antes que Minerva pudesse fazer-lhe mais perguntas sobre os bruxos espanhóis ou trouxas escoceses – pelos quais parecia nutrir um profundo interesse- Velerie tomou o caminho rumo às frias masmorras de Hogwarts.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

2. Algumas memórias que não se esvaem

Fazia muitos anos desde a última vez que Velerie tinha visto o esplendor do Salão Principal de Hogwarts, mas as memórias dos milhares de velas que flutuavam sozinhas e do teto encantado que revelava o tempo lá fora permaneciam; aquela aura mágica jamais sairia de sua mente.

Viu quando a professora Minerva McGonagall trouxe a fila de primeiranistas para frente da grande mesa onde os professores e funcionários se sentavam. Reconheceu Harry ali, logo a frente de uma cabeça que, a julgar pelos cabelos ruivos, devia pertencer ao Clã Weasley – eram boa gente os Weasley, Velerie fez uma nota mental de procurá-los assim que pudesse. Todos os primeiranistas pareciam nervosos, mas era sempre assim. Ela podia recordar da sua seleção.

O pai dela, Finn Moon, tinha sido da Corvinal e tinha certeza absoluta de que era pra lá que ela iria. Já a mãe, Morgana, não havia frequentado Hogwarts – como poderia? - e torcia apenas para que ela fizesse bons amigos, não importando em que casa fosse parar. Velerie fora escolhida para ser Grifinória, e não poderia jamais se sentir triste por isso, pois fora ali que fizera as amizades mais duradouras de sua vida. Como teria sido se não conhecesse Remo, Sirius ou Tiago? Ou ainda, como teria sido se não conhecesse Lilly Evans?! Sua vida tinha sido inteiramente decidida por causa daquela ligação... Encarou o prato vazio a frente, lembrando-se das primeiras impressões que tinha tido de Hogwarts.

A pequena Velerie Moon não conhecia ninguém na escola e se sentia tão só. Fora escolhida para ser Grifinória, e não Corvinal, como seu pai esperava. Se pudesse, correria agora mesmo para o corujal e escreveria uma carta para os pais, mas não tinha permissão de sair do dormitório naquele horário – e não queria parecer fraca. Abraçou os joelhos magros e pôs-se a chorar baixinho, com medo de que acordasse algumas das garotas que já dormiam. Eram sortudas, a maioria delas, pois tinham alguns amigos e até irmãos mais velhos no castelo.

- Você tá legal?! – Ouviu uma vozinha fina perguntar.

- Aham... – Respondeu-lhe, chorosa.

O dossel de sua cama foi aberto e ela encarou os olhos mais verdes que já vira em toda a vida.

- Meu nome é Líllian... Líllian Evans. Meus pais são trouxas... – A menina ruiva sentou-se na sua cama e enxugou suas lágrimas. – Não chore, também não sei quase nada de Hogwarts. – Ela parecia saber o que havia de errado com Velerie, sem precisar que a menina lhe contasse.

- Meu nome é Velerie, Velerie Moon. – Ela estendeu-lhe a mão, um pouco mais calma. – Meu pai é bruxo, minha mãe não... Mas ele era da Corvinal, então não sei nada sobre Grifinória. E ele nunca me contou muitas coisas sobre a escola, porque ele e minha mãe não tinham certeza se eu seria chamada ou não... Não conheço ninguém daqui... – A vontade de chorar recomeçava.

- Vel... Posso chamar você de Vel, não posso? – Mas ela continuou sem esperar resposta. – Você pode me chamar de Lilly. – Ela sorriu largamente. - Também não conheço quase ninguém no castelo. A única pessoa que eu conheço é o Severo, mas ele foi escolhido pra ser Sonserino... – Pela primeira vez na conversa, a voz da pequena Lilly vacilou. – Eu posso apresentar vocês. Talvez ele seja meio grosso no começo, mas ele não é mal. Faz isso por proteção, as pessoas não costumam gostar muito dele, sabe...

- Você tem certeza Lilly?! Não quero ser intrometida, ou algo assim...

- Claro que tenho! Ele adora explicar coisas sobre magia, e assim que perceber que você é uma pessoa legal, vai te tratar tão bem como me trata... Espere para ver! – A mãozinha de Lilly apertou a sua, delicada, e ela sorriu. Naquela noite, as duas dormiram abraçadas, como se fossem irmãs e tivessem feito aquilo a vida inteira.

Velerie despertou do seu pequeno devaneio quando ouviu o nome de Harry ser pronunciado, o observou sentar-se sobre o banquinho e não ficou nada surpresa quando o chapéu seletor gritou para o salão que ele era da Grifinória. Como poderia pertencer a outra casa, sendo seu pai e sua mãe excelente Grifinórios?!

Assim que a seleção terminou, Dumbledore deu as boas-vindas aos alunos e as mesas se encheram de comida. Ela sorriu, de repente esfomeada, e se serviu de pudim de carne e rosbife. Enquanto comia, procurava por mais rostos conhecidos na mesa; ficou muito feliz quando viu o guarda-caça, Hagrid, no extremo esquerdo. Ele era um homem gigantesco, mas a despeito de seu enorme tamanho, era extremamente bondoso e gentil. Obviamente, conhecia também Madame Pomfrey, com quem trabalharia a partir daquele dia, e a professora Minerva. Não sabia quem era o jovem com expressão assustada que usava um enorme turbante em volta da cabeça, mas decidiu que por alguma razão, não gostava dele. Entretanto, nenhum rosto causou-lhe maior surpresa do que o rosto de Severo Snape.

- Severo?! – Lilly o encontrou no corredor de Poções, antes da aula dupla que teriam com Sonserina. – Quero apresentar-lhe uma pessoa... Essa é Velerie Moon.

O garoto, cujos cabelos eram negros e batiam no ombro, olhou-a de cima a baixo, com certo desdém.

- Quem? – Ele perguntou.

- Velerie Moon! – Lilly respondeu, a contragosto. – Ela é minha amiga, é da Grifinória e não sabe nada sobre Hogwarts. Porque você não explica pra ela as coisas que me explicou, antes de virmos para cá?

Snape pensou por um segundo, observando a garota a sua frente; uma coisa que ele pareceu gostar foi o cabelo dela, que era tão negro quanto o seu, e talvez até mais longo. Não fazia seu gênero se preocupar com os outros, muito menos com cabeças-ocas que não sabiam nada sobre Hogwarts antes de entrar na escola - Lilly era uma exceção, claro, sendo seus pais quem eram. Mas decidiu que, sendo Lilly quem lhe pedia, e tendo a oportunidade de mostrar-se mais uma vez tão inteligente para a idade, aceitaria.

- Tudo bem, eu posso ajudar...

- Obrigada Severo. – Era a primeira vez que ele ouvia a voz de Velerie, e achou que era uma voz muito bonita, apesar de parecer assustada. – Eu sabia que você não podia ser de todo mau...

- Você não me conhece, certo. Não precisa fingir que conhece. – Ele a cortou no meio da fala, apesar de sentir um enorme deleite por causa daquela menina que agia como se o conhecesse desde sempre.

- Severo! Não fale assim com a Vel!

- Vel?! É esse o seu apelido? – Ele parecia se divertir muito com o apelido que Lilly havia dado para a garota.

- É sim... Sev. – Velerie devolveu a brincadeira no mesmo tom irônico. – Algum problema?

- Não... Vel. Nenhum problema.

Na verdade, era a primeira vez que Severo encontrava alguém que pudesse devolver suas brincadeiras daquele jeito, sem parecer intimidada. Lilly nunca dava o braço a torcer também, mas de alguma forma era diferente, porque ele sabia que por dentro ela era atingida pelo seu sarcasmo. Entretanto, não foi assim que aconteceu com Velerie, e ele ficou se perguntando por que motivo.

- Vamos Sev, Lilly... Não devemos nos atrasar para as aulas! – Velerie pegou cada um dos amigos com uma mão e saiu arrastando os dois pelo corredor, até entrarem na sala.

Uma coisa muito estranha aconteceu enquanto Velerie observava Snape a distância. Ela viu, com toda a clareza, quando o olhar do professor se cruzou com os olhos de Potter – os mesmos olhos incrivelmente verdes de Lilly – e percebeu o enorme ressentimento e ódio que ele parecia emanar daqueles olhos negros e profundos. Algo definitivamente não estava correto, e antes que aquele dia terminasse, ela precisava descobrir o quê. Além disso, não tinha se despedido adequadamente do velho amigo na última vez que se viram, dado os terríveis acontecimentos, e não poderia deixar as coisas mal resolvidas daquele jeito. Assim que acabasse o banquete, e os alunos estivessem recolhidos, decidiu que o procuraria no castelo para que conversassem e colocassem as coisas nos devidos lugares.

Os pensamentos dela foram interrompidos mais uma vez por Dumbledore, que dessa vez proferia os típicos avisos do começo de aulas. Falou sobre a proibição de circular na floresta nos limites da escola e de fazer mágicas nos corredores durante os intervalos das aulas. Avisou os alunos sobre os testes de quadribol e, o que Velerie achou muito incomum, os proibiu de circular pelo lado direito do corredor do terceiro andar – a menos que procurassem “uma morte muito dolorosa”, nas suas próprias palavras.

- E, antes que todos possamos nos retirar e dormir, eu gostaria que dessem as boas-vindas e uma salva de palmas para duas pessoas novas na escola! O Prof. Quirrel aqui ao lado, que os ensinará a combater a Arte das Trevas... – Dumbledore fez uma pausa para que pudessem aplaudir Quirrel, que quase derrubou o turbante enquanto retribuía as boas-vindas com uma mesura exagerada. – E Velerie Moon, que um dia estudou em Hogwarts e hoje volta como medibruxa, auxiliando Madame Pomfrey na ala hospitalar!

Velerie levantou-se da mesa, e acenou graciosamente para os alunos, enquanto alguns aplaudiam e outros assoviavam.

- Nossa, Fred, olha aquela mulher! Quantos anos você acha que ela tem? Uns vinte?! – Rony Weasley perguntava ao irmão na mesa da Grifinória.

- É claro que ela não pode ter vinte anos, seu desmiolado. – Hermione Granger o cortou. – Como você acha que Dumbledore poderia contratar uma pessoa tão jovem para ser Medibruxa?! É preciso muita competência e anos de experiência pra ser admitida num cargo desses...

- Tanto faz sua sabe-tudo. – O garoto resmungou.

- Mas isso é estranho, de qualquer forma... – Hermione agora falava sozinha. – Talvez ela use algum tipo de poção rejuvenescedora... Nada que eu não possa descobrir com umas idas à biblioteca!

Velerie ficou um pouco sem graça com a reação de alguns alunos. Os mais sagazes e mais velhos perceberam que ela parecia muito jovem para ocupar um cargo como aquele. Por essa razão não queria que Dumbledore a apresentasse em público, não queria levantar suspeitas. Mas Dumbledore nunca errava e por isso ela tratou de se acalmar, pensando que era melhor seguir os conselhos do diretor. Tornou-se a sentar-se e procurou mais uma vez o rosto de Severo Snape na mesa dos professores; qual não foi sua surpresa quando o encontrou não olhando odioso para Potter, mas sim em choque olhando para ela própria?!

- Oi... – Ela disse, sem emitir som e apenas mexendo os lábios. Mas ele não respondeu. Simplesmente virou o rosto e não voltou a olhar para ela durante o banquete.

Dumbledore sorriu ao reconhecer o rosto a sua frente. Os longos cabelos negros levemente enrolados nas pontas, os olhos azul-acinzentados, a pele branca, as feições inteligentes; não poderiam pertencer a outra pessoa que não Velerie Moon.

- Velerie, minha querida! – Saudou-a calorosamente. – A que devo o enorme prazer de tê-la aqui, em Hogwarts, depois de tantos anos?!

- Dumbledore... – Ela começou, timidamente.

- Me chame de Alvo, minha criança. – Deu-lhe leves tapinhas nas costas da mão.

- Hum, certo... Alvo... O menino Potter já está seguro no expresso de Hogwarts e eu vim aqui, pessoalmente, contar-lhe que cumpri minha tarefa. – Ela parecia apreensiva. – Cuidei dele no mundo trouxa desde que... Desde que seus pais se foram, e hoje o entrego a seu verdadeiro lar, Hogwarts.

- Sim, Velerie. Eu sempre senti uma enorme pena que esse dia chegasse, pois significa que agora você pode ir. Pode viver sua vida como quiser, independente do passado. – Ele parou por um segundo. – É triste ter que dizer-lhe adeus Vel. Sempre é...

- Dumbledore! – Ela corou logo após perceber o tamanho de sua ousadia e disfarçou o embaraço olhando a belíssima fênix que pertencia ao diretor. – Quer dizer... Alvo... – Voltou a olhar nos olhos de Dumbledore. – Eu não quero ir embora. Não quero viver minha vida “como quiser”, pois este garoto é minha vida agora e eu sou totalmente devota a tudo que o envolver. – Encarou o azul cintilante a sua frente e acrescentou. – Quero ficar em Hogwarts!

Dumbledore a olhou de volta ponderando a situação e, depois do que pareceu a Velerie uma eternidade, sorriu.

- Pois bem, não sabe como isso me deixa feliz. Muitíssimo feliz Velerie! Bom, não acho que um cargo de professora seja o que melhor combina com você, por isso creio que vá se sentir muito bem trabalhando com Madame Pomfrey na ala hospitalar do castelo. – Os sábios olhos do diretor se detiveram por um segundo nos pulsos da bruxa antes de voltarem a encará-la nos olhos. – Afinal, com o sangue que você tem, e suas habilidades medibruxas...!

- Ah Alvo! Sim, ficaria extremamente honrada em trabalhar aqui, na ala hospitalar ainda por cima! Você sabe que foi assim que me mantive no mundo dos trouxas?! Como enfermeira chefe! O hospital no qual trabalhava era o que tinha a menor taxa de mortalidade do mundo dos trouxas, e é claro que os administradores se gabavam da enorme competência... Se eles soubessem! – Ela riu.

- E, por decerto, você poderá combinar as técnicas dos dois mundos e não haverá ala hospitalar mais bem servida em toda a Inglaterra! – Enquanto falava, os olhos de Dumbledore caíram sobre um estranho relógio sem ponteiros sobre a mesa. – Mas agora, minha querida, sugiro que se vista com suas vestes de bruxa e venha ao Salão Principal. Você não vai querer perder a seleção de Harry Potter, não é?!

- Por todas as corujas do mundo, claro que não! – Ela levantou-se e fez uma pequena referência, pronta para sair da sala do diretor.

- Ah, antes que se vá Velerie, deixe-me acrescentar que você também deve se preparar para ser apresentada aos alunos e professores como a mais nova medibruxa de Hogwarts! – Ele riu, divertindo-se com a expressão de desconforto dela. – Não adianta contestar, é a tradição apresentar cada nova pessoa que recebemos aqui! Agora, apresse-se, vá...

E ela saiu da sala de Dumbledore, um pouco insegura quanto à grande apresentação que teria que passar, mas muito animada diante do rumo que as coisas tomavam agora.

Velerie Moon sorria ao ver os Dursley lutando para colocar o malão do menino Potter no pequeno bagageiro do carro. Finalmente, depois de dez tortuosos anos, a bruxa poderia voltar ao mundo ao qual pertencia. Finalmente, depois de vigiar, proteger e cuidar de Harry à distância, ela poderia voltar à comunidade mágica e rever aqueles que havia deixado para trás.

Retirou a varinha do bolso do casaco e, murmurando um feitiço, fez com que o malão de Harry deslizasse facilmente para dentro do carro. Adorava a expressão que os Dursley sempre faziam quando ela executava pequenas mágicas como essa, e eles não sabiam explicar de onde vinham. Por dez anos, sua varinha só tinha conhecido feitiços feitos em nome de Harry Potter.

Era sua tarefa cuidar para que ele não fosse descoberto no mundo dos trouxas; ninguém, exceto os Dursley, poderia perceber as estranhas coisas que ele era capaz de fazer. Não sabia dizer ao certo quantas memórias havia alterado ao longo dos anos, mas com certeza eram muitas, incluindo os trouxas da escola de Harry e as pessoas que às vezes o viam na Rua dos Alfeneiros.

As outras coisas, pequenas, ela fazia porque sentia necessidade de dar-lhe uma espécie de carinho, mesmo que ele nem soubesse disso. Foi assim quando fez com que os cabelos dele crescessem de volta ao comprimento normal em uma só noite, depois daquele corte desastroso que a tinha Petúnia tinha-lhe feito. Ou da vez que, através da janela da cozinha, encolhera aquele horrível macacão marrom com pompons cor de laranja que ela tentava forçar pela cabeça do garoto. Pobrezinho, depois de perder os pais, ter que ir morar com aqueles trouxas horríveis... E ainda por cima sem saber o que era ou que ainda tinha ela, Velerie, sua madrinha, melhor amiga de sua mãe, para contar no mundo!

Finalmente todos entraram no carro e partiram para a estação de trem. Então, com um último olhar em direção à casa que habitara ali, na Rua dos Alfeneiros, Velerie sorriu e aparatou rumo à Hogwarts.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

1. O RETORNO DA LUA.


- Severo! – A garota o chamava, andando desesperada atrás dele. - Severo volte aqui! Pare... Por favor... Sev...

Ele continuava andando furioso na frente dela. Não precisava, e não iria, virar o rosto para vê-la chorar. Sabia que se fizesse isso não conseguiria manter a fúria que sentia e iria perdoá-la. Mas ela não merecia...

- Não, Lilly. Não consigo entender você, justo você, andando pra cima e pra baixo com aquele metido do Potter.

- Você não fica tão irritado pela Velerie andando com o Sirius! Porque simplesmente não anda com eles também? São boa gente, Sev... – Ela o tinha alcançado e agora os dois conversavam baixo no corredor de História da Magia.

- Quem disse que não fico chateado? Porque fico sim! – Era em parte verdade. Severo sentia ciúmes das duas garotas, pois eram suas únicas amigas e ele era extremamente controlador. Mas o ciúme que sentia por Velerie andando com o Sirius Black não era nada quando comparado ao devastador ódio que Tiago Potter despertara quando começou a namorar a SUA Líllian. – E eu não tenho que gostar dos seus novos amigos, já que você insiste em desprezar os meus...

- Não ouse compará-los, Severo Snape! – A voz dela era fria quando o cortou no meio da fala. – Seus “amigos” são pessoas más. São malignos! Avery e Mulciber... Mulciber, Sev! Você viu o que ele fez com a Mary Macdonald aquele dia?!

- Aquilo não foi nada Lilly, era só brincadeira...

- Brincadeira?! Aquilo era magia das trevas Sev! Você não pode fingir que é brincadeira... Ou vai se tornar como eles?! Saindo pelo castelo dizendo que quer ser Comensal da Morte, junto com Malfoy e os outros?! – Ela estava indignada. – Não quero que isso aconteça. Eu me importo com você...!

No momento em que a ouviu dizendo que se importava com ele, a fúria de Snape desapareceu. Dissipou-se em um largo sorriso, que fez com que Lilly suspirasse aliviada.

- Vem. – Ele disse, pegando-a gentilmente pela mão. – A gente vai se atrasar pra aula...

Severo Snape acordou totalmente devastado pelo sonho que tinha acabado de ter. Fazia anos que ele não sonhava sobre o passado, sobre a juventude; e num esforço sobre-humano tinha conseguido deixar Lilly Evans longe do seu subconsciente. Na verdade, mal conseguia recordar quando havia sido a última vez que tinha tido sonhos. Distraído, levou a mão até o antebraço esquerdo enquanto repensava, pela milésima vez, todos os seus atos e erros do passado.

Ao perceber que já era de manhã, suspirou cansado e saiu da cama. Lembrou-se que naquele mesmo momento, em Londres, bruxos preparavam o expresso de Hogwarts para a longa viagem que faria, trazendo consigo todos os alunos da escola. Dentre esses alunos, um em especial já o irritava profundamente, mesmo antes de chegar ali. Harry Potter, “o menino que sobreviveu”, o filho do tão odiado Tiago Potter com a sua, SUA Lilly... Terminou de se vestir e, muito irritado, não pôde conter o fluxo de pensamentos malignos que fizeram com que sua varinha, mesmo metros distante, sobre a escrivaninha, soltasse um jorro de faíscas vermelhas para o teto da masmorra.